Ricardo Knoepfelmacher: o acesso ao crédito é um desafio para as empresas brasileiras

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Para o economista Ricardo Knoepfelmacher, um dos maiores especialistas em recuperação de empresas no Brasil, a atual conjuntura econômica traz reflexos negativos para todas as empresas brasileiras. No entanto, alguns setores tendem a ser mais sacrificados.

“É o caso dos segmentos de infraestrutura, varejo, imobiliário e agronegócios. Em que pese a mudança no preço da gasolina, que influencia o preço do álcool, a maioria dos 490 produtores de açúcar e álcool no Brasil está em situação muito precária e precisa de uma grande renegociação de suas dívidas, porque não terá como honrar compromissos. No setor imobiliário, houve uma redução significativa do valor das empresas. Isso aconteceu porque diversificaram em tipos de produto e geograficamente, em um negócio sem vantagem de escala”, destacou Ricardo Knoepfelmacher.

De acordo com Ricardo Knoepfelmacher, a mudança do ambiente econômico vai levar a uma revisão da estratégia de vários grupos empresariais.
“Todas as grandes empresas que diversificaram ou se verticalizaram vão ter que focar na atividade principal e desinvestir de áreas não estratégicas. Hoje elas valem um porcentual pequeno do que já valeram e têm que mudar de tamanho. Faz parte de um processo, porque tinham uma estrutura de capital muito ruim”, disse Ricardo Knoepfelmacher.

O Brasil é um caso peculiar no panorama mundial porque as taxas de juros reais ainda são muito elevadas por aqui, destaca o especialista.
“Um indicador de 3,5 vezes de alavancagem é considerado elevado no Brasil. Temos (na RK) um “watch list” de todas as empresas do Brasil com alavancagem acima disso, porque são candidatas naturais às nossas reestruturações. Nos Estados Unidos é comum ver uma alavancagem de 7 vezes em empresas saudáveis”, explicou Ricardo Knoepfelmacher.
Ricardo Knoepfelmacher vê com preocupação a diminuição do crédito no país.

“Hoje vivemos um quadro de encolhimento do mercado de crédito, em que linhas não estão sendo renovadas, e novas linhas não estão sendo concedidas. Isso tem um efeito nefasto porque é justamente o momento em que as empresas precisam captar. Vejo algumas soluções. Os fundos de “distressed debt” (que emprestam dinheiro para empresas em dificuldades) vão ficar mais ativos no Brasil. Segundo, haverá um aumento do mercado paralelo lateral, de uso de factoring, para empresas médias e pequenas. Nesse último caso, podemos ter uma bola de neve porque em geral os juros são tão escorchantes que só dificultam uma solução estrutural para as empresas.

Em um cenário de crédito escasso e de altas taxas de juros, a maioria das nossas empresas vai ter que passar por um processo de reestruturação. Vão ter que reduzir ineficiências, rever a estrutura de capital, conversar com os bancos e direcionar seus melhores esforços para as suas verdadeiras vocações. Caso façam o dever de casa da maneira correta, em breve, podem voltar a viver um círculo virtuoso. Até porque a tendência é de que em um horizonte de dois anos o mercado volte ao normal e tenhamos abertura de novas linhas, além de renegociações de prazos e carências de dívidas”, concluiu Ricardo Knoepfelmacher.

 

 

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