Pedidos de recuperação judicial de construtoras aumentam quase 30%

Diferenciais

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Atrasos de pagamento dos governos da União, dos estados e dos municípios para as construtoras se somam a problemas como a queda da atividade econômica e o endividamento feito na época do boom imobiliário.
A queda na atividade econômica teve reflexo devastador na construção civil em 2015. O setor, depois da indústria de transformação, teve a segunda maior queda acumulada do PIB (Produto Interno Bruto) até o terceiro trimestre do ano (-8,4%) comparando com 2014, o que foi determinante para o aumento de 28% no número de empresas em processo de recuperação judicial.
Dados do Instituto Nacional de Recuperação Empresarial revelam que 1.079 empresas do ramo entraram com pedido de recuperação judicial durante o ano, ante as 846 do ano anterior. O maior crescimento (41%) foi na região Sudeste, onde 450 empresas entraram com pedido de recuperação judicial. Em segundo lugar, a região Sul com aumento de 22% nos pedidos; depois a Norte, com alta de 19%; Nordeste, com aumento de 18%; e Centro-Oeste, 16%.
O aumento reflete, na avaliação do presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil), José Carlos Martins, a situação do mercado, que se ressente de atrasos de repasse por parte de governo, além da queda da atividade econômica. Sobre os atrasos. diz que estes não são apenas da União “mas também de estados e municípios”.
De acordo com Martins, o Sudeste é muito impactado pela crise da atividade industrial como um todo. “Empresas de construção de regiões baseadas na indústria estão em situação mais complicadas do que aquelas onde há forte atividade da agricultura”, disse. O agronegócio nos três primeiros trimestres do ano passado subiu 2,1%.
Para o professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e especialista em construção civil, Paulo Porto, além do impacto da queda na atividade industrial, as empresas da região Sudeste foram as que mais haviam se beneficiado do boom imobiliário ocorrido entre 2009 e 2012. Fizeram investimentos, muitos deles com empréstimos e acabaram sendo as mais prejudicadas na crise.
Porto destaca ainda que muitas construtoras trabalham com margem de lucro baixa, de 3% a 4%. Segundo ele, com a crise aumentam as negociações de preço, baixando ainda mais essa margem, o que agrava a situação de empresas com menor capacidade financeira. Ele destaca que na crise, “quando se tem saúde financeira, é mandada gente embora e que, quando a saúde não é tão boa, as empresas quebram”.
Sobre o impacto da Operação Lava-Jato no aumento dos pedidos de recuperação judicial, Martins destaca que a influência é pequena. “A Lava-Jato tem efeitos, mas não tem a relevância que se dá”, afirmou. Porto concorda e destaca que as empresas envolvidas na operação são de 15 a 30 em um universo de 5 mil empresas de construção civil no país. “Os valores são grandes, mas em número de empresa é pequeno”, destacou.

 

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